Fotosdo rio: Codevasf (publicadas no site www.integracao.gov.br)
SINTRACOM-BA e ASCON promovem
debate sobre transposição do Rio São Francisco
Fotos do evento: João Ubaldo

O tema é polêmico e a sociedade cobra do governo mais esclarecimentos. Por isso, o SINTRACOM-BA e a ASCON – Associação dos Servidores da Conder consideraram importante promover um debate sobre a Transposição do Rio São Francisco, no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho.

O evento aconteceu no auditório da Conder – Companhia Baiana de Desenvolvimento Urbano da Bahia. A abertura ficou a cargo dos presidentes do SINTRACOM-BA, Florisvaldo Bispo, e da ASCON, José Augusto. E contou com a presença de convidados ilustres: professora da Escola Politécnica da UFBa e doutora em recursos hídricos, Ivonildes Medeiros; arquiteto e urbanista, especialista em política ambiental, Anilton Santos (pela manhã); e o professor titular da Escola Politécnica da UFBa e PhD em Saúde ambiental, Luís Roberto Santos Moraes; João César Pierobom, representando o coordenador geral do projeto São Francisco no governo federal, Rômulo Macedo (à tarde).

Ivonildes Medeiros é contrária à transposição e garantiu que o São Francisco não é uma bacia com abundância de água. Ela questionou a forma como o governo federal toca o projeto: “sem discutir com a sociedade, nem apresentar dados concretos e ignorando a recomendação contrária à transposição, do Comitê da Bacia do São Francisco”.

O professor Anilton Santos, outra voz contrária ao projeto da transposição, argumentou que “os principais problemas ligados ao rio são o assoreamento e o uso irracional da água, com o desperdício de 60% da água usada na irrigação”.

João César Piberon afirmou que é “totalmente favorável” à transposição do Rio São Francisco. Explicou que, além de trabalhar no projeto, o Ceará, previsto junto com Rio Grande do Norte e Paraíba para receber as águas da transposição, é o estado onde ocorrem mais mortes em decorrência da seca.

Suas afirmações, no entanto, foram rebatidas pelo professor Luis Moraes, totalmente contrário ao projeto: “O que existe em jogo é um projeto grande de engenharia, com interesses claros por detrás” e citou como exemplo a indústria de aço, que será implantada no Ceará e que precisa do insumo da água barata. Além disso: projetos de agronegócios para exportação; fazendas de criação de camarão (carcinicultura); interesse das grandes empreiteiras da construção, como estava a Gautana, que iria pegar o segundo maior lote do projeto; a cobrança do abastecimento de água à população, por preços altos; e os problemas fundiários.

No debate, o membro do Comitê da Bacia do São Franscisco, Hugo Pereira, teve uma participação vigorosa, apresentando da platéia vários dados, números e estatísticas que ilustravam seu posicionamento contário à transposição.

 


 

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